Remédio para colesterol é retirado do mercado; entenda

  • Redução da inflamação nas artérias
  • Estabilização das placas de gordura, diminuindo o risco de ruptura e infarto
  • Redução do risco de doenças cardiovasculares

➡️Um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica “Annals of Internal Medicine” também mostrou que esse medicamento é capaz de reduzir significativamente o risco de mortalidade em adultos com diabetes, independentemente do risco cardiovascular.

Na reportagem abaixo, você confere:

Como as estatinas agem no corpo?

As estatinas são uma classe de medicamentos que atuam no fígado bloqueando uma via enzimática com o objetivo principal de reduzir a produção de colesterol no corpo.

“Quando o fígado produz menos colesterol, ele passa a captar mais colesterol do sangue por meio de receptores de LDL. O resultado é a queda do LDL, colesterol ruim no sangue”, detalha o médico endocrinologista, Marcello Bertoluci.

Bertoluci, que é diretor do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Cardiometabolismo da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), detalha que há ao menos seis representantes dentro da classe das estatinas.

O que muda, segundo o médico, é a potência do esquema, que depende da molécula e, principalmente, da dose.

“Em geral, a atorvastatina em dose alta e a rosuvastatina em dose alta reduzem em torno de 50% o LDL, enquanto outras como a sinvastatina, a pitavastatina, a pravastatina e a fluvastatina tendem a reduzir por volta de 30%”, analisa.

Quem deve tomar o medicamento?

A indicação para o início do uso das estatinas depende diretamente da categoria de risco cardiovascular e do nível do LDL no sangue.

Bertoluci pontua que, quanto mais alto for o risco, maior a necessidade de reduzir o colesterol.

👉Elaine dos Reis Coutinho, médica cardiologista e membro do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explica que, de maneira geral, o tratamento com estatinas é indicado para os seguintes casos:

  • Colesterol LDL elevado, principalmente quando não há resposta adequada apenas com mudanças no estilo de vida
  • Pessoas que já tiveram infarto, AVC ou angina (prevenção secundária)
  • Pacientes com diabetes, principalmente acima dos 40 anos
  • Indivíduos com hipertensão associada a outros fatores de risco, como obesidade e tabagismo
  • Pessoas com história familiar de doença cardiovascular precoce
  • Casos de hipercolesterolemia familiar, uma condição genética

“Em resumo, as estatinas entram quando o LDL está alto e, principalmente, quando o risco e a necessidade de redução são grandes o suficiente, a ponto de as medidas de estilo de vida – que conseguem reduzir em média 15% do colesterol – não darem conta sozinhas de atingir a meta de colesterol”, detalha Bertoluci.

É importante lembrar que, em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou a Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose e endureceu as metas de colesterol, incluindo pela primeira vez a categoria de risco extremo – voltada para pacientes que já tiveram múltiplos eventos cardiovasculares.

A nova versão do documento estabelece:

  • Baixo risco: menor que 115 mg/dL (antes era menor que 130 mg/dL)
  • Intermediário: menor que 100 mg/dL (antes era menor que 100 mg/dL)
  • Alto: menor que 70 mg/dL (sem alteração)
  • Muito alto: <50 mg/dL (antes era menor que 70 mg/dL)
  • Extremo: <40 mg/dL (não existia na diretriz anterior)

🫀Ou seja, quanto maior o risco cardiovascular envolvido, mais baixo é o nível de LDL aceitável no sangue do paciente.

Helio Magarinos Torrres Filho, patologista clínico e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, pondera que, por muito tempo, o controle do colesterol foi tratado como um número isolado, especialmente o LDL. Mas a nova diretriz mostra que o tratamento precisa ir muito além.

“Quem tem risco mais alto precisa de metas mais baixas. Ou seja, dois pacientes podem ter o mesmo LDL e receber condutas diferentes, porque uma pessoa de baixo risco pode estar em um patamar aceitável e outra, que já teve um evento cardiovascular, pode precisar reduzir muito mais”, compara.

Efeitos colaterais

De acordo com os especialistas, as estatinas são medicamentos seguros, eficazes e com estudos robustos que demonstram que podem salvar vidas quando bem indicados.

Apesar disso, como acontece com todos os medicamentos, essa categoria de remédios pode causar alguns efeitos colaterais. O mais comum deles é a dor muscular.

“É algo que acomete cerca de 10% das pessoas, mas, em geral, é tolerável e reversível, quando se troca a medicação ou se ajusta a dose, ou mesmo quando se muda para doses mais baixas em combinação com outras medicações”, explica Bertoluci.

Elaine detalha que as dores musculares costumam ser leves, no primeiro mês do tratamento, e podem levar também à sensação de câimbras.

Em situações muito raras, o uso do medicamento pode levar a uma lesão muscular grave com consequência aos rins. O efeito é algo bem mais incomum que também costuma ser reversível com as medidas adequadas.

Outro efeito raro é relacionado ao fígado, como uma hepatite medicamentosa com alterações laboratoriais. A reação também é pouco relatada e, quando acontece, pode ser revertida.

“Os efeitos colaterais importantes são raros e o benefício do tratamento na grande maioria das vezes é maior que o risco”, analisa Elaine Coutinho.

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