Homem é condenado a 2 anos de prisão após amputar o próprio pé para tentar receber indenização

Inconsistências no relato

As autoridades apontaram uma série de inconsistências nos depoimentos prestados pelo servidor público. Entre eles estão os seguintes fatos ⬇️

➡️ A mochila do acusado foi encontrada pela perícia a cerca de 350 metros de onde ele foi socorrido. A bolsa continha todos os pertences que Vanderley afirmou terem sido roubados, assim como o pé amputado. O fato causou estranheza, uma vez que não era compatível com o relato do servidor, que afirmou ter tido o celular e relógio roubados.

➡️ A amputação do membro dele por parte dos supostos sequestradores chamou a atenção da Justiça. De acordo com o documento, os juízes consideraram “ilógica” a ideia da amputação, já que Vanderley não possuía inimigos e nenhum resgate foi solicitado.

➡️ A Justiça também considerou que o servidor público demonstrou uma série de esquecimentos sobre aspectos cruciais do crime, como a dinâmica exata da lesão e qual o instrumento utilizado para praticá-la. O documento aponta que ele não soube afirmar se os criminosos teriam utilizado um facão, serra ou foice.

➡️ Também foi destacado que a ordem cronológica dos fatos indicava uma premeditação financeira. Para os juízes, é contrastante que um servidor com um salário reduzido tivesse contratado quatro seguros de vida simultâneos apenas seis semanas antes de perder o pé.

Condenação

Diante do apurado, a Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos concluiu, em primeira instância, que o servidor planejou a fraude ao contratar os seguros e posteriormente apresentar a história para receber as indenizações.

Ele foi condenado a 2 anos de reclusão por estelionato, em primeira e segunda instâncias. O servidor foi intimado a iniciar o cumprimento da pena em maio após o caso transitar em julgado, ou seja, não cabem mais recursos.

Após ser condenado em 2025, Vanderley começou a cumprir pena em maio deste ano. Ele tentou levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não conseguiu.

A defesa de Vanderley havia apresentado um pedido de prequestionamento, um recurso jurídico usado para forçar os magistrados do estado a declararem expressamente quais leis foram aplicadas na decisão. Essa etapa é obrigatória para que um processo possa ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, a Justiça da Bahia considerou que todos os pontos e leis questionados pela defesa de Vanderley já haviam sido detalhadamente examinados e debatidos ao longo do processo, não sendo necessário encaminhar o caso ao STJ.

O que dizem os advogados das seguradoras

“O caso é um dos mais emblemáticos num mercado em que, só em 2024, contabilizou mais de R$ 1,1 bilhão de indenizações evitadas em golpes comprovados”, afirmou o advogado Adriano Scattini, da Advocacia Zacarelli, escritório representou todas as seguradoras envolvidas.

Em nota, a empresa informou que o primeiro fato a chamar a atenção foi a multiplicidade de apólices contratadas pelo servidor público que não teria renda para pagá-las no longo prazo. Cada uma com uma empresa referência no setor.

“Casos como esses são detectados porque as empresas operam de maneira integrada, que é o melhor meio de combater a epidemia de fraudes contra os seguros”, explicou Scattini.

Perícias médicas atestaram que a amputação do pé não poderia ter sido feita por golpes violentos num assalto.

“Quem ajudou ele tinha conhecimento de técnicas cirúrgicas, o que invalidou a versão de violência e do assalto”, explicou Scattini.

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