Fazenda da maconha: Polícia Civil informa que concluiu a operação de destruição e incineração da droga e esclarece por que parte das plantas foi enterrada

A Polícia Civil informou, nesta sexta-feira (3), que concluiu a operação de destruição e incineração controlada da plantação de maconha encontrada na fazenda em Acopiara, no interior do Ceará, na quinta-feira (2). Policiais encontraram cerca de 290 mil pés de maconha na propriedade, no dia 25 de junho deste ano, o que se tornou uma das maiores apreensões de drogas da história do estado.

Nesta sexta, o deputado André Fernandes (PL) voltou à fazenda onde foi encontrada a plantação com cerca de 290 mil pés de maconha e afirmou nas redes sociais que encontrou parte da droga enterrada no local, onde não tinha nenhuma vigilância policial.

Segundo a Polícia Civil, o material encontrado pelo parlamentar são restos da referida plantação e de outras plantas do terreno destruídas.

“Claramente, se vê que não é maconha. Quem não entende acha que isso aqui é maconha. A maconha não é feita de raízes. O material da maconha está devidamente queimado e destruído”, disse o delegado Pedro Viana, diretor do Departamento de Polícia do Interior Sul.

“Precisa que se entenda que a área era muito extensa, a maconha ainda estava verde. Foram feitos buracos onde, de forma controlada, a equipe do Corpo de Bombeiros orientou que fosse feito esse buraco”, complementou o delegado.

Material queimado

A corporação disse ainda que a técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros para incinerar a droga consiste em cavar valas e queimar as plantas com o uso de gasolina e óleo diesel. Em seguida, o material é encoberto com a terra evitando dessa forma que o fogo se alastre para a vegetação ao redor.

A Polícia Civil disse que a finalização da ação teve o acompanhamento de servidores da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE), da Vigilância Sanitária, do Ministério Público do Ceará e da Guarda Municipal.

Conforme a legislação brasileira, nestes tipos de apreensão, a droga deve ser incinerada. No início da semana, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou o local e afirmou que a Polícia Civil iria permanecer no local até destruir toda plantação.

Apreensão vira polêmica

Na última semana, a apreensão, anunciada como uma das maiores da história do estado, se tornou o centro de uma polêmica e alvo de uma investigação policial após uma denúncia do deputado André Fernandes de que o local – ainda com as drogas ensacadas e os pés de maconha plantados – havia sido abandonado pelos policiais.

Na nova denúncia publicada nesta sexta (3), André conta ter ido à fazenda na noite da quinta-feira (2) e não ter encontrado nenhum policial no local. Na sequência, ele escavou uma área do terreno e encontrou os pés de maconha enterrados. Ele tentou chamar um trator para escavar outras áreas, mas foi interrompido por uma equipe da Polícia Civil que chegou ao local durante a gravação do vídeo.

“Comprovei que o governador mentiu. A droga não foi incinerada. Ela foi enterrada”, afirma o deputado. “O governador disse que a polícia só sairia quando destruísse tudo. A destruição sendo a incineração. Não aconteceu”.

O g1 também procurou a Casa Civil do Governo do Ceará para comentar o novo questionamento do deputado federal ao governador Elmano de Freitas. A reportagem será atualizada quando houver resposta.

📍Conforme a legislação brasileira, drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante (isto é, sem ninguém ter sido preso com elas ) devem ser destruídas por incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da data da apreensão. A legislação também determina a delimitação do local, “asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova”.

O deputado apontou ainda que só escavou um pedaço do terreno, mas que haveria mais drogas enterradas no restante da área. Toda a área foi revolvida por tratores da Superintendência de Obras Públicas (SOP), que estavam ajudando nos trabalhos policiais.

A droga foi descoberta durante uma operação da Polícia Civil realizada no dia 25 de junho em Acopiara, no interior do Ceará. No dia 27, André Fernandes denunciou que a área havia sido deixada sem custódia, ainda com a droga e outras provas. O deputado visitou o local e mostrou que a maior parte da plantação seguia no local, bem como parte da droga já colhida, e outras provas.

Dois dias depois da denúncia, no dia 29, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda acompanhado dos chefes das forças de segurança estaduais, enquanto tratores aparentemente faziam a limpeza do terreno. O governador disse que a plantação seria destruída. “Nós vamos apurar absolutamente tudo. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, afirmou Elmano.

PL aciona MP e PF

O Partido Liberal (PL) informou que vai acionar o Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) requerendo “a apuração dos novos fatos, a preservação das provas, a identificação de todos os agentes públicos envolvidos e a apresentação da íntegra dos documentos oficiais relativos à operação”.

O partido informou ainda que vai avaliar a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o governo estadual, “caso as investigações confirmem que agentes públicos, no exercício de suas funções, deliberadamente deixaram de observar os deveres legais e funcionais impostos pela legislação”.

Após a denúncia de André Fernandes, no fim de junho, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que iria investigar a denúncia de “falha nos procedimentos na custódia”. A pasta quer saber o motivo da droga ter sido mantida na área com os pés de maconha ainda plantados, sem segurança para preservar o local.

Mais tarde, a Polícia Civil informou que a fazenda havia sido arrendada e já tinha identificado dono e arrendatário. No dia 2 de julho, o proprietário João Holanda Neto, foi preso temporariamente, enquanto familiares afirmavam que o verdadeiro responsável pela droga é Cristiano Rodrigues de Lima, o homem que arrendou a área em 2025. João Holanda foi solto nesta sexta (3). Cristiano está foragido.

Conduta de policiais será investigada

Quando a operação foi deflagrada, no dia 25 de junho, a Polícia Civil informou ter descoberta a área de plantio e também um acampamento usados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada dos policiais. Em um dos pontos, os agentes acharam até feijão cozinhando em uma panela, o que indicava que a saída dos criminosos era recente.

Na ocasião, os agentes localizaram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando uma estimativa de 290 mil pés da droga, com cerca de 5 toneladas do entorpecente.

Após a batida, a Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo da plantação de maconha sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local. No entanto, o deputado federal André Fernandes mostrou que a maior parte da plantação seguia no local, e a parte do já havia sido colhido e ensacado também estava lá. Na residência do sítio, foram deixados materiais como celular e cadernos de anotações.

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