Prefeitas no CE lançam maridos e filhos às eleições de 2026 e mantém o capital político familiar nos municípios

Política familiar

Permanência estratégica

Ana Flávia Monteiro (PSB), prefeita de Acaraú

O marido da prefeita é o deputado federal Robério Monteiro (PSB), ex-secretário de Recursos Hídricos do Estado. Ele deixou a pasta para disputar as eleições deste ano.

Ana Rufino (PSB), prefeita de Apuiarés

O marido, Sérgio Rufino (PSB), ex-prefeito de Apuiarés e de Ipu, é cogitado como pré-candidato a deputado.

Ana Afif (PSB), prefeita de Cascavel

O marido, Gerônimo Munhoz (PSB), é pré-candidato a deputado estadual.

Patricia Aguiar (PSD), prefeita de Tauá

O marido é o ex-vice-governador Domingos Filho (PSD), que é cotado novamente para cargo majoritário, e os filhos são o deputado federal Domingos Neto (PSD) e Gabriella Aguiar (PSD), vice-prefeita de Fortaleza, que também são apostas para estas eleições.

Gislaine Landim (PSB), prefeita de Brejo Santo

O filho é o deputado estadual Guilherme Landim (PSB), ex-prefeito de Brejo Santo, que vai para a disputa proporcional neste ano.

Tereza Cristina (PSD), prefeita de Orós

Foi eleita vice-prefeita ao lado do filho, Simão Pedro (PSD), que renunciou ao Executivo para garantir presença na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Ele deve concorrer à reeleição a deputado.

Larissa Camurça (PSD), prefeita de Pacatuba

O marido, deputado estadual Firmo Camurça (PSD), também é aposta para essas eleições.

Ariana Aquino (PP), prefeita de Paraipaba

O marido e ex-prefeito da cidade, Vicente Aquino (PDT), é pré-candidato a deputado federal.

As prefeitas e as bases

Apesar de parte das gestoras ter origem política ligada a uma figura masculina, como apontou Adriana Alcântara, muitas delas conseguiram se estabelecer na vida pública e garantir autonomia e longevidade nesses espaços. Exemplo disso é Patrícia Aguiar, que, em 2025, assumiu o seu quinto mandato como prefeita de Tauá, dando fôlego a uma família de capital político vindo do início da República. 

Assim como Patrícia, a prefeita de Beberibe, Michele Queiroz (PSB), foi lançada candidata pelo marido, o ex-prefeito Daniel Queiroz, em 2012. Desde então, assumiu mais dois mandatos no governo municipal e a liderança de votos para a Alece na cidade, em 2022. Hoje, mesmo sem parentes diretos na disputa, Michele mantém alianças com parlamentares estaduais e federais, em uma lógica de apoio recíproco para viabilizar projetos administrativos e empreitadas eleitorais futuras.

O PontoPoder também buscou as oito prefeitas citadas inicialmente para detalhar sua participação nas eleições gerais de 2026 e o impacto das chamadas “dobradinhas” na articulação entre municípios e parlamentos estadual e federal.

As prefeitas de Acaraú, Apuiarés, Brejo Santo, Cascavel, Orós, Pacatuba, Paraipaba e Tauá também foram questionadas sobre a concentração de poder no Ceará. Até a publicação deste material, somente Ana Rufino e Tereza Cristina se pronunciaram.

Por meio de nota, a Ana Rufino se manifestou em defesa de “um mandato legítimo, conferido pela população”, e afirmou que permanece integralmente dedicada à gestão de Apuiarés. Ratificou, ainda, seu compromisso com “a responsabilidade institucional, a estabilidade política e o avanço do município”. 

Ela preferiu não comentar diretamente as negociações relacionadas à pré-candidatura de Sérgio Rufino, já que “não participa dessas articulações”, ressaltando que o assunto deve ser tratado exclusivamente pela equipe dele. A reportagem buscou Sérgio Rufino, que disse não haver definição até o momento. “Estou nas tratativas com partido e liderança”, pontuou.

A gestora também é irmã de outro nome influente politicamente: o deputado estadual Cláudio Pinho (PSDB), que já foi prefeito de São Gonçalo do Amarante. Ele deve ser candidato à reeleição à Alece, seguindo estratégia do campo de oposição de fortalecimento da bancada. 

Quanto a isso, Ana comentou como equilibra os pratos entre diferentes forças políticas em escala estadual, uma vez que integra a base do governador Elmano de Freitas (PT) e mantém uma “relação política e institucional pública, consolidada e respeitada” com o irmão. 

“Essa relação com o município não é recente nem circunstancial. Cláudio Pinho mantém vínculo político e institucional com Apuiarés, e esse histórico também é reforçado pelo reconhecimento concedido a Anaracy Pinto Pinho Rufino no município. Soma-se a isso a trajetória pública de Barros Pinho, nome de relevância na política cearense, o que ajuda a explicar a solidez dessa ligação construída ao longo do tempo”, argumentou.

Quanto à questão da genealogia e concentração de poder, a prefeita de Orós argumentou que é um “avanço histórico ter mulheres ocupando um espaço que durante muito tempo foi ocupado apenas por homens”, embora entenda as críticas à herança político-familiar.

Tereza Cristina já havia ocupado a função, entre 1993 e 1996. Seu filho, Simão Pedro (2013-2020), e seu marido, Luiz Moreira Pequeno (1971-1973 e 1983-1988), também.

Já fui prefeita antes, em uma época em que ter uma mulher à frente de uma prefeitura era algo raro. No meu caso, sei que relações próximas podem abrir portas, mas estas portas só se mantêm abertas com trabalho e seriedade. O que posso dizer é que a minha gestão tem identidade própria. Tenho projetos, posições e prioridades que são minhas. Ser parente não me define como gestora. O que me define é o que eu entrego para Orós.Tereza Cristina (PSD)

Prefeita de Orós

A respeito das eleições deste ano, ela indicou que terá participação ativa na campanha. “Estas eleições terão um peso importante para o nosso município. Orós precisa ter voz na Assembleia, bem como alguém que faça ponte entre o nosso município e as demais esferas da gestão. Por isso, terei uma participação ativa nas próximas eleições. Como conhecedoras das demandas do município, sei o quanto precisamos de pessoas comprometidas com Orós e com o nosso Estado”, disse.

Para ela, ter uma representação direta da cidade na Alece é fundamental para ter acesso a emendas e projetos e ainda ajuda na interlocução com o governo. “Um município pequeno como nosso depende muito desta ponte. Então, para nós se trata de reconhecimento”, complementou.

Diário do Nordeste

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