Deputados federais do Ceará se filiam ao PSB em mais uma etapa de debandada do PDT

Briga dos irmãos Ferreira Gomes

A debandada do PDT no Ceará começou após a briga dos irmãos Ciro e Cid Gomes, nas eleições de 2022, durante o processo de escolha do candidato ao Governo do Ceará, que acabou levando ao rompimento da aliança de 16 anos entre o PT e o PDT no estado.

O então governador Camilo Santana, do PT, escolhido em 2014 por Cid Gomes para sucedê-lo na gestão estadual, deixou o cargo em abril para poder concorrer ao Senado. Com a saída de Camilo, sua vice, Izolda Cela (até então no PDT, hoje no PSB), assumiu o governo cearense.

À época, Cid (PDT) e Camilo (PT) defenderam que Izolda, primeira mulher à frente do governo no estado, concorresse à reeleição. Já Ciro Gomes defendeu que o PDT escolhesse o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. A posição de Ciro acabou prevalecendo no PDT.

Com a decisão do PDT, Cid rompeu com o irmão e se afastou da campanha. O PT de Camilo Santana decidiu lançar outro candidato, Elmano de Freitas (PT), que acabou eleito governador contra Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (União).

O senador Cid Gomes deixou o PDT e, em 2024, se filiou ao PSB, cujo presidente estadual é Eudoro Santana, pai de Camilo Santana. Na troca, Cid levou consigo a maioria dos seus aliados, alguns dos quais conseguiram, na Justiça, deixar o PDT antes; outros estão aproveitando a janela partidária agora para realizar o movimento.

Em 2025, o próprio Ciro Gomes deixou o PDT e se filiou ao PSDB em meio às articulações para uma possível candidatura ao governo estadual – pleito que dificilmente Ciro poderia pôr à frente dentro da sigla trabalhista, uma vez que o PDT retomou a aliança estadual com o PT e já confirmou que deve apoiar a campanha de reeleição de Elmano em 2026.

Ascensão do PSB

Entre 2022 e 2025, os deputados estaduais aliados de Cid Gomes deixaram o PDT e migraram para o PSB. O Partido Democrático Trabalhista, que tinha a maior bancada da Assembleia Legislativa do Ceará, ficou com apenas 4 deputados, que agora em 2026 também devem deixar o partido.

Já o PSB, que não tinha deputado estadual no Ceará em 2022, conseguiu filiar 12 parlamentares “cidistas”, formando a maior bancada da Casa. Entre os filiados estão o presidente da Assembleia, Romeu Aldigueri, que havia sido eleito pelo PDT.

Nas eleições de 2024, o PSB de Cid Gomes elegeu 65 prefeitos entre os 184 municípios do Ceará, tornando-se o partido com o maior número de prefeituras no estado – posto esse que até então pertencia ao PDT, que em 2020, capitaneado pelos irmãos Ferreira Gomes, tinha eleito 66 prefeitos.

Já no pleito de 2024, o PDT viu sua participação no Ceará ser reduzida a 5 prefeituras. A sigla perdeu inclusive a Prefeitura de Fortaleza, àquela altura a gestão mais relevante que o partido tinha nacionalmente.

Ainda em 2024, o PSB de Cid Gomes conseguiu filiar seu primeiro deputado federal, Júnior Mano, que havia sido expulso do PL. Com as filiações de Idilvan Alencar e Robério Monteiro no último fim de semana de março, já são 3 deputados federais no PSB. Cid Gomes anunciou que gostaria de eleger pelo menos 5 federais neste ano.

Nestas eleições, os cearenses devem eleger dois senadores, e há meses partidos da base governista do Ceará e da oposição têm discutido os nomes para concorrer aos cargos. Cid tem dito que não pretende concorrer à reeleição e quer lançar Júnior Mano ao Senado.

Já Ciro Gomes, ainda rompido publicamente com Cid, é apontado como o candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB. A candidatura de Ciro deve reunir apoio de diversas lideranças de oposição, incluindo deputados do PL e do União Brasil.

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