Agricultor fura poço no quintal em busca de água e encontra possível reserva de petróleo no CE

A ciência entra em cena

O resultado dos testes indicou que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos. No entanto, isso não é suficiente para confirmar que seja petróleo ou que seu Sidrônio pode ter uma reserva do material no quintal.

Diante do achado, Adriano conta que orientou a família a não mexer no poço e reuniu todas as informações técnicas, informando à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre o caso. 

Pela legislação brasileira, recursos minerais, incluindo os presentes no subsolo, são de propriedade da União, então, ao se descobrir uma possível jazida, é necessário informar à ANP, que é responsável por regularizar, contratar e fiscalizar o setor.

Inclusive, mesmo que se confirme a reserva no quintal de seu Sidrônio, é necessário atestar a viabilidade econômica da jazida. “A gente não sabe se isso é uma unidade de produção muito rasa, muito curta, que não vai ter viabilidade econômica. Então, o tempo todo a gente tenta colocar dessa forma para a família, para não criar expectativas”, explica o profissional ligado ao IFCE.

Esperança em meio à escassez

Saullo conta que a família tem tentado se manter com o “pé no chão”, mas torce para o desfecho ser positivo, pois seu Sidrônio ainda não pagou o empréstimo bancário para realizar as perfurações.

Apesar da esperança, o coordenador de compras revela que o desejo do pai era ter conseguido encontrar água no quintal.

O que ele queria mesmo era ter a água para o consumo dos animais e das plantações. Ele sofre muito, principalmente porque é criador de ovelhas, de cabras e de porcos. É uma região muito difícil de chegar água.”Saullo Santiago

Coordenador de compras

Risco ao lençol freático

Apesar dos indícios promissores, Adriano alerta que o achado não deve estimular outras pessoas a perfurarem a área em busca de petróleo, principalmente devido ao risco de contaminação do lençol freático, que poderia agravar o problema de falta d’água, característico da região semiárida.

“Qualquer tipo de intervenção dessa natureza, sem os equipamentos e orientações adequados, pode contaminar o lençol freático ou o aquífero, prejudicando ainda mais toda a comunidade e transformando a situação em um crime ambiental”, frisa o engenheiro químico.

Diário do Nordeste solicitou mais informações sobre o caso à ANP e aguarda retorno.

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